Brasil e Unodc promovem campanha contra tráfico de seres humanos

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O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, lançou uma iniciativa com o governo do Brasil e outros parceiros para combater o tráfico humano usando o transporte aéreo.

O projeto “Liberdade no Ar” explica os truques dos traficantes, as razões pelas quais as pessoas se tornam vítimas e como o pessoal do aeroporto, da companhia aérea e os passageiros podem ajudar.

Responsabilidade
A agência afirma que os funcionários do setor têm um papel fundamental na detecção de casos de tráfico, no apoio às vítimas e nas investigações que podem levar ao desmantelamento das redes criminosas e condenação dos responsáveis.

O projeto vai durar os próximos quatro anos. Aeroportos em todo o país estão transmitindo vídeos e distribuindo folhetos e revistas em quadrinhos.

Na próxima fase, os funcionários da indústria receberão treinamento do Unodc sobre como identificar casos de tráfico, intervir, alertar autoridades aeroportuárias e encaminhar os casos.

Adolescente
Em comunicado, a procuradora do Trabalho do Ministério Público do Brasil, Andrea da Rocha Carvalho Gondim, disse que “é essencial aumentar a conscientização sobre o tráfico de pessoas entre comissários de bordo, pessoal de terra e passageiros.”

Gondim contou que teve a ideia do projeto ao ler sobre uma comissária de bordo americana que conseguiu resgatar uma adolescente que estava sendo traficada nos Estados Unidos.

Segundo ela, “esta campanha é dirigida a potenciais vítimas que sejam brasileiros que saem do país, com destino a outra cidade ou estrangeiros que chegam ou transitam pelo país.”

Unodc
O especialista Carlos Perez afirma que o Unodc “coopera com companhias aéreas e aeroportos na identificação de vítimas desde 2016 e realiza treinamentos em toda a América Central e do Sul.”

Ele disse que, quando as vítimas são traficadas através de companhias aéreas, o controle do traficante pode ser direto ou indireto.

Perez conta que “ou o traficante viaja com a vítima ou existe um controle indireto, com a vítima ameaçada de alguma forma, seguindo instruções precisas, com medo de alertar as autoridades, e no destino é recebida por um membro da rede criminosa.”

Em alguns casos, os criminosos fornecem documentos fraudulentos para a viagem. Os documentos verdadeiros e dinheiro são retidos pelo traficante e apenas devolvidos na chegada da vítima.

Histórias
A Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da Juventude, Asbrad, é outra parceira da iniciativa, fornecendo perícia técnica.

As histórias apresentadas na campanha são inspiradas em casos reais. São destacadas ofertas falsas de trabalho doméstico bem remunerado, contratos de modelo internacional e carreira de jogador de futebol, que acabam resultando em exploração sexual e laboral no Brasil e no exterior.

Segundo a coordenadora da Asbrad, Graziella Rocha, “é impossível dizer o quão difundido está o tráfico de pessoas no Brasil, porque faltam estudos oficiais atuais sobre o assunto.”

Apesar disso, ela diz que o maior número de casos identificados é para fins de exploração de mão de obra em setores como agricultura, confecções e construção civil.

Graziella Rocha conta que os trabalhadores migram das regiões mais pobres do país para os estados mais ricos. O Unodc planeja estender a distribuição desta campanha a outros países. Com ONU News.

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