Emater-MG integra projeto para aperfeiçoar produção nacional de morangos

Minas Gerais – maior estado produtor de morangos do país – agora integra a Rede Morangos do Brasil. O projeto, lançado em 29 de março, também reúne instituições de pesquisa, assistência técnica e extensão rural de São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. A iniciativa tem, entre outros objetivos, o de ajudar produtores na superação de desafios como o de importar a maior parte das mudas que são plantadas, o que aumenta os custos e reduz as margens de lucro.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Epamig), ambas vinculadas à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), são as representantes do Governo de Minas na rede.

Por meio do projeto, a ideia é aumentar a produtividade e a renda dos produtores. Para isso, serão implementadas pesquisas para desenvolver o melhoramento genético do morango, a tecnologia para produção de mudas, além de aprimorar a nutrição das plantas, o controle de pragas e doenças e os processos de pós-colheita e comercialização.

Ações
“Nós temos uma dependência muito grande de mudas do exterior, que são importadas do Chile, da Argentina e da Espanha. O investimento em pesquisas poderá gerar novas variedades para estimular a produção de mudas de qualidade e reduzir parcialmente ou até totalmente, quem sabe no futuro, essa dependência das mudas importadas”, afirma o coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio. Hoje, segundo ele, a compra de mudas representa mais de 60% do custo de produção dos agricultores.

Deny Sanábio, da Emater-MG, cita como uma das ações que podem ser desenvolvidas pela rede um projeto coordenado pelo pesquisador da Epamig Mário Sérgio Carvalho Dias, que prevê a multiplicação de material genético no laboratório de biotecnologia da Epamig Norte, em Nova Porteirinha, a partir de híbridos nacionais de morangueiros selecionados em programas de melhoramento da Epamig, da Universidade Estadual de Londrina e do Instituto Agronômico de Campinas.

Mário Sérgio explica que a pesquisa inclui as principais viroses que afetam as plantas e são transmitidas por mudas. Em uma etapa posterior, essas plantas híbridas melhoradas serão multiplicadas e as mudas serão cultivadas em 13 unidades de demonstração e observação (UDO), implantadas nas principais regiões produtoras de Minas Gerais. Com o acompanhamento das plantas em campo, serão avaliadas a produtividade das novas cultivares e as características dos frutos. “Os resultados dessa pesquisa poderá resultar em cultivares com elevado potencial produtivo e mais acessíveis para os produtores do que as importadas”, afirma o pesquisador da Epamig.

As unidades demonstrativas serão implantadas nos seguintes municípios: Pouso Alegre, Bom Repouso, Estiva, Senador Amaral, Bueno Brandão, Munhoz e Espírito Santo do Dourado, no Sul de Minas; Alfredo de Vasconcelos e Ressaquinha, no Campo das Vertentes; Datas, Alto Jequitinhonha; Nova Porteirinha e Montes Claros, Norte; e Prudente de Moraes, no Centro-Oeste.

O coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, acrescenta que, além do potencial produtivo e da qualidade das mudas, é importante também avaliar aspectos como a aparência e o tamanho dos frutos, além do aroma e do sabor. “São questões importantes, para atender às exigências dos consumidores, que querem um morango bonito e saboroso.” De acordo com o engenheiro agrônomo, a união de diversas instituições na Rede Morangos do Brasil vai ampliar o conhecimento sobre a cultura, com benefícios para produtores e consumidores.

Maior produtor
Minas Gerais tem mais de 2,93 mil hectares plantados e produção esperada de 167 mil toneladas em 2022. Como maior produtor do Brasil, o estado conta com 8.731 agricultores familiares e 296 agricultores não familiares dedicados à produção comercial do morango, em 59 municípios.

Deny Sanábio ressalta que a agricultura familiar é responsável por 92% da produção, em propriedades de cerca de meio hectare. “É uma atividade rentável, considerando o retorno financeiro por área utilizada”, destaca o coordenador técnico. Com Agência Minas

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