Brumadinho: radar apontou deformação de 15 mil m² na barragem da Vale

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Uma deformação de 14.800 metros quadrados (m²) em uma área monitorada da barragem B-1 da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, onde as medições por radar ficavam em apenas 10 centímetros. Essa foi a grande alteração detectada pelo radar que monitorava a estrutura em 14 de janeiro deste ano, 11 dias antes do seu rompimento.

O dado da área, que corresponde a extensão de mais de dois campos de futebol e estava situada próxima ao centro da barragem, foi apresentado por Tércio Andrade Costa. Ele era operador do radar interferométrico da barragem B-1 e prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da Barragem de Brumadinho na segunda-feira (1º).

Acompanhado de seu advogado Leon Obregon Gonçalves, o funcionário da Vale informou que mesmo em outras áreas monitoradas na barragem, o máximo de deformação atingido até o dia 14/1, ficava na faixa entre 200 e 400 m², a ainda assim, em poucos casos.

Superiores
Ele completou que todas as informações foram repassadas para seus superiores hierárquicos e para diretores da Vale que acompanhavam a situação na mina. Receberam o e-mail com imagens da deformação, de acordo com Tércio: Cristina Malheiros, sua chefe imediata, mas que estava sendo transferida para outra área; Artur Bastos, que a substituiu; Renzo Albiere, responsável pela gestão da mina e ainda, a engenheira Andréa Dornas.

Questionado pelo relator da CPI, André Quintão (PT), sobre as providências tomadas após sua comunicação às chefias, o operador do radar disse que Artur Bastos só lhe respondeu o e-mail. Na mensagem, o gerente informou que outros instrumentos de medição utilizados pela Vale apontavam que não havia movimentação irregular na barragem e que o quadro era normal. O e-mail, ainda conforme Tércio, foi copiado para o “nível máximo hierárquico” a que ele tinha acesso, Renzo Albieri.

“Desde o início das medições em Córrego do Feijão, em março de 2018, a área apresentava uma deformação no formato de uma linha reta. De dezembro em diante, apresentou uma parábola, o que significa uma deformação progressiva”, constatou Tércio. ele revelou que a partir de dezembro desse ano, as alterações na barragem foram se ampliando, “em padrões superiores às que vinham sendo identificadas anteriormente”.

Formado em arquitetura, Tércio Costa registrou que opera radares na Vale deste 2013, “quando a tecnologia chegou ao País” e que foi treinado pelo fabricante do equipamento por cerca de seis meses. Ele ainda opera outros três radares na empresa, dois na Mina de Tamanduá e um em Capão Xavier, todos em Nova Lima (RMBH).

Fraturamento
André Quintão perguntou se o problema com o excesso de água na barragem e a consequente erosão provocada por um dreno instalado, em junho de 2018, foi detectado pelo radar. Tércio respondeu que sim, que o radar mostrou “mudança na aceleração e velocidade”. E explicou que seria como se a barragem tivesse balançado para frente e para trás.

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