Unesco alerta que florestas do Patrimônio Mundial da Unesco liberam mais carbono do que absorvem

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), divulgou novo relatório que revela que algumas das florestas mais preciosas do mundo estão aumentando as emissões de carbono, ao invés de ajudar na mitigação do aquecimento global.

A análise da agência mostra que 10 ecossistemas na lista do Patrimônio Mundial passaram a liberar mais gases devido a incêndios florestais, desmatamento e mudança climática. A lista conta com 257 locais.

Emergência climática
Para o coautor do relatório, Tales Carvalho Resende, os dados fornecem “evidências da gravidade da emergência climática”.

O alarme é ainda maior, tendo em vista que os locais estudados são valorizados e protegidos.

De acordo com as descobertas da Unesco, a ação humana é a principal causa. Em alguns locais, o desmatamento para a agricultura fez com que as emissões fossem maiores do que a absorção.

A crescente escala e severidade dos incêndios florestais, muitas vezes associados a severos períodos de seca, também foi um fator predominante em vários casos. Outros fenômenos climáticos extremos, como furacões, contribuíram em certos locais.

Dados
O conjunto de 257 florestas que fazem parte da lista da Unesco ocupam uma área de 69 milhões de hectares, ou duas vezes o tamanho da Alemanha.

A entidade destaca que os ecossistemas são ricos em biodiversidade e absorvem 190 milhões de toneladas de dióxido de carbono presentes na atmosfera por ano.

O número representa aproximadamente a metade do carbono emitido apenas pelo Reino Unido no mesmo período.

As florestas já absorveram aproximadamente 13 bilhões de toneladas de carbono, mais do que os gases nas reservas de petróleo do Kuwait.

A Unesco explica que se todo esse carbono armazenado fosse liberado na atmosfera, seria como emitir 1,3 vezes o total de emissões anuais provenientes de combustíveis fósseis.

Veja as dez florestas do Patrimônio Mundial que estão emitindo mais carbono do que são capazes de absorver:
1. Patrimônio da Floresta Tropical de Sumatra, Indonésia
2. Reserva da Biosfera do Rio Plátano, Honduras
3. Parque Nacional de Yosemite, Estados Unidos
4. Parque Internacional da Paz Waterton-Glacier, Canadá e Estados Unidos
5. Montanhas Barberton Makhonjwa, África do Sul
6. Parque Kinabalu, Malásia
7. Bacia de Uvs Nuur, Rússia e Mongólia
8. Parque Nacional do Grand Canyon, Estados Unidos
9. Área de Grandes Montanhas Azuis, Austrália
10. Parque Nacional Morne Trois Pitons, Dominica

América Latina
Na América Latina, a agência chama atenção para importantes perdas na região do Chaco na Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai.

A pior seca em mais de 50 anos no local está colocando a subsistência e a vida de milhões em risco. Este ano, o rio Paraná, segundo maior da América do Sul secou, segundo a agência.

A perda de florestas também é um fator que contribui para a liberação de dióxido de carbono. De acordo com um relatório da FAO e do Pnuma, na América Latina entre 2000 e 2016, quase 55 milhões de hectares de floresta foram destruídos.

O número representa 91% da perda total de florestas do mundo. Parte dessa perda foi devido a incêndios descontrolados. Com ONU News

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