Turismo e gastronomia podem transformar Minas Gerais

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De forma semelhante à França, a gastronomia, agregada à história e à cultura, é a principal vocação do turismo em Minas Gerais e está transformando o Estado. A constatação é do secretário de Estado de Turismo, Gustavo Pessoa Arrais, que participou de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)..

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Solicitada pelo deputado Agostinho Patrus Filho (PV), a reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico teve como objetivo debater o Plano Estadual de Desenvolvimento da Gastronomia (PEDG). Proposto pelo Poder Executivo, o plano está previsto na Lei 21.936, de 2015, que instituiu a Política Estadual de Desenvolvimento da Gastronomia.

O secretário Gustavo Arrais lembrou que a França tinha outras vocações econômicas, como a extração mineral e a agricultura. “Percebendo que a mineração ia se esgotar, começaram a trabalhar o turismo, baseado em agricultura, história e cultura. Hoje, o país recebe 68 milhões de turistas”, destacou.

Na opinião de Arrais, Minas Gerais, com quatro patrimônios da humanidade, pode seguir essa trilha. “Só com o carnaval em Belo Horizonte neste ano, foram movimentados R$ 670 milhões”, comemorou.

Pioneirismo
O deputado Agostinho Patrus Filho lembrou que Minas Gerais é o primeiro Estado a contar com uma política de desenvolvimento da gastronomia. “O que vai dar concretude a essa política é o Plano Estadual da Gastronomia, construído com a participação de vários órgãos governamentais, iniciativa privada e entidades ligadas ao setor”, afirmou.

A proposta inicial foi elaborada pelo grupo coordenador do programa +Gastronomia, criado pelo governo em 2017, unificando iniciativas no segmento e fomentando sua cadeia produtiva. “Este é um plano com duração de 2018 a 2021, mas precisa ser constantemente avaliado. Como é quadrienal, perpassa governos, tornando-se um plano de estado”, apontou o parlamentar.

Consulta pública vai até 12 de abril
A gestora de Projetos Sociais do Serviço Social Autônomo (SSA Servas), Marina Simião, divulgou que o governo abriu uma consulta pública sobre o PEDG. Os interessados em colaborar podem conferir a íntegra das propostas e sugerir melhorias até o dia 16 de abril.

Segundo Marina, até o momento, foram recebidas 109 contribuições. Na visão dela, o plano enfrenta desafios, como a complexidade de lidar com uma cadeia produtiva muito diversa, que inclui a produção agropecuária e os serviços de alimentação fora do lar, passando pelo beneficiamento, logística, comercialização, desenvolvimento de produtos e pesquisa.

Cristiane Serpa, do Instituto Integrado de Desenvolvimento Econômico (Indi), destacou que a política de gastronomia tem entre seus objetivos a atração de investimentos e a promoção da exportação.

“O Indi promove a gastronomia mineira participando de feiras em países como China, Alemanha e Colômbia. Apresentamos produtos mineiros com potencial exportador, como café, cachaça e queijo”, disse. Mas o órgão também divulga outros setores, com foco em pequenos e médios produtores sem capacidade de se posicionarem internacionalmente.

Mineiraria
Fernanda Machado, diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemig, defendeu maior divulgação do PEDG. Ela divulgou a Mineiraria, casa da gastronomia em Belo Horizonte, voltada à promoção dos produtos da culinária mineira, oferecendo oficinas, eventos e intercâmbio entre chefs.

Gilson Soares, superintendente de Agronegócio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, enfatizou que, além dos produtos mais tradicionais da culinária mineira, há outros que a pasta apoia, como doces, linguiças, embutidos e farinha. Um dos programas desenvolvidos nesse sentido é o Certifica Minas, que atua na certificação de café, queijo, leite, carne, frutas e azeite, o que ajuda a fortalecer a gastronomia e o turismo.

Identificação gastronômica e visibilidade
O chefe do projeto Territórios Gastronômicos, Eduardo Avelar, sugeriu a substituição da identidade geográfica pela identificação gastronômica, para dar mais visibilidade às regiões produtoras.

Na opinião do professor e coordenador do Curso de Gastronomia da UNA, Edson Wander Puiati, o PEDG poderia tratar mais detalhadamente de modelos de produção agroecológico e orgânico, além de abordar a conexão da gastronomia com o turismo religioso. Ele sugeriu ainda que alguns ícones da culinária mineira sejam transformados em patrimônio imaterial.

Marisa Flores Peixoto, da Emater, disse que a instituição tem atuado com produtores rurais enfocando boas práticas de produção. Uma das ações que faz parte da primeira entrega da política de gastronomia foi a realização do 11º concurso do queijo minas artesanal em São Roque de Minas (Centro-Oeste do Estado).

Desemprego
“Nas indústrias, nos bancos e nas empresas em geral, a automação se expande cada vez mais”, alertou o deputado Roberto Andrade (PSB). Para o parlamentar, alternativas para gerar emprego e renda são o turismo e a gastronomia. Na sua avaliação, só dois estados no Brasil possuem uma gastronomia diferenciada – Minas Gerais e Pará -, mas só o primeiro tem uma divulgação massiva por todo o País, o que deve ser valorizado.

Ricardo Rodrigues, presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), parabenizou o deputado Agostinho Patrus Filho pela coordenação dos trabalhos para que se chegasse à política estadual. Por outro lado, ressalvou que o PEDG só será executado se houver recursos alocados para sua implementação. Com informações da Assessoria de Comunicação da ALMG

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